Você sabia que brincar pode beneficiar os idosos?

Brincar, na visão dos idosos, pode ser algo apenas para crianças. Mas, segundo Júlio Pereira, médico pela UFBA (Universidade Federal da Bahia) e neurocirurgião, a literatura científica lista vários benefícios de brincadeiras e jogos adaptados à velhice. Além de contribuírem com bem-estar, criatividade, comunicação e interação social, autonomia sobre atos e pensamentos, essas atividades relembram ainda experiências e estimulam o raciocínio lógico. O médico afirma também: “Até o aparecimento e a progressão do Alzheimer retardam”.

Com o avançar da idade, algumas capacidades cognitivas podem reduzir (atenção complexa e dividida, memória, velocidade de processamento, aprendizagem), bem como habilidades motoras. Por isso, o ideal é driblar tais processos, que podem evoluir para demências, por meio de atividades lúdicas: ao envolver a diversão, as brincadeiras  estimulam o desenvolvimento psíquico e emocional e os laços interpessoais dos idosos que se permitem brincar.

Além disso, é notado que a autoestima melhora, assim como a expressão de sentimentos, a funcionalidade, a afetividade, a convivência (incluindo entre gerações diferentes) e os níveis de serotonina e dopamina, reduzindo o cortisol. Alguns jogos e brincadeiras levam a experienciar e a lidar ainda com emoções nem sempre agradáveis, de perda e derrota. E isso, de certa forma, é positivo, pois inclui a possibilidade de o idoso aprender a superar seus conflitos e limitações.

O estudo  “Atividades lúdicas como estratégia de educação em saúde com idosos”, realizado em 2013  por pesquisadores de enfermagem da UFG (Universidade Federal de Goiás), relatou que elas promovem mudanças efetivas no estilo de vida, diminuindo o uso de serviços de saúde e de medicamentos. Após levantarem as principais dúvidas e necessidades de um grupo sob investigação, os autores identificaram três temas de maior interesse dos idosos: hipertensão arterial, diabetes mellitus e alimentação. Com base nisso, confeccionaram brincadeiras e jogos didáticos, como cartelas de bingo, elaboração de cardápios saudáveis e uma gincana de revisão do que aprenderam, tipo “Passa ou Repassa”.

O projeto evidenciou que os idosos possuem muitas dúvidas ou muitas concepções equivocadas sobre as temáticas discutidas, além de adotarem alguns comportamentos de riscos para a saúde. “Nesse contexto, o lúdico estimula, mas pode conscientizar, nos desafiar a sair da zona de conforto, diminuir resistências e favorecer planejamentos e novos padrões de comportamento”, explica Yuri Busin, psicólogo, doutor em neurociência do comportamento e diretor do Casme (Centro de Atenção à Saúde Mental – Equilíbrio), em São Paulo.


Vale ressaltar que, como visto, o lúdico pode ser muito bem adaptado à rotina dos idosos, que jamais devem ser infantilizados. E, para um melhor proveito é fundamental que os idosos sejam ouvidos pelos promotores das atividades, a fim de terem suas preferências, sugestões e limitações respeitadas. Para o ajuste do tempo e da qualidade do jogo ou da brincadeira, é fundamental atenção aos seus mínimos desconfortos, expressões de cansaço e déficits de coordenação.

Por isso, é ideal que tenham sempre o acompanhamento médico para que as abordagens sejam de acordo com as necessidades de cada participante, como trabalhar memória, foco, interação, entre outros.

Marisa Lima, especialista em práticas integrativas e gerontologia e CEO da empresa Doutor Cuidados, explica que até mesmo acompanhá-los no preparo de alguma receita e revisitar álbuns de família servem de atividade de estímulo. “Quando o idoso sente um cheiro, estimulamos sua memória, buscando saber o que aquele cheiro o faz recordar, de qual ano é a lembrança, e assim sucessivamente. Então, através disso fortalecemos sua memória afetiva”, diz ela, acrescentando que essa tática pode ser aplicada com as fotos antigas.

Outras atividades benéficas para se colocar na lista incluem: batata-quente, completando a música, troca e destroca de objetos no lugar, caça ao tesouro no jardim, telefone-sem-fio, quebra-cabeça, artesanato (pintura, desenho, escultura), cantiga de roda, dominó, jogos de cartas, ou de listar nomes (de pessoas, animais, alimentos, objetos) com determinadas letras. “O cérebro é como um músculo que precisa ser fortalecido e quanto mais variados os treinos, melhor. E isso sem descuidar do sono, alimentação e exercícios físicos”, finaliza Pereira.

Fonte: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/11/20/velho-pra-isso-jamais-idosos-se-beneficiam-muito-de-brincadeiras-entenda.htm

Leave a Comment