“A vida que se revela”: um convite olharmos os momentos do cotidiano como obra de arte
Até o dia 13 de abril, das 10h às 18h, os momentos do cotidiano que pouco valorizamos na rotina atribulada são o foco da exposição “A vida que se revela”, realizada pela primeira vez no Brasil na Japan House São Paulo, em parceria com o ‘KYOTOGRAPHIE International Photography Festival’. Assim, por meio de registros fotográficos, a exposição destaca memórias da vida cotidiana capturadas por duas fotógrafas de diferentes gerações: Rinko Kawauchi (1972) e Tokuko Ushioda (1940).
Dentre os fotógrafos da atualidade, Rinko Kawauchi é conhecida por suas reflexões profundas e pessoais de sua família. Seu estilo, que ressalta a fragilidade e a vitalidade fundamental escondidos no objeto retratado com a sua delicada sensibilidade, teve reconhecimento internacional e, em 2007, seu trabalho foi exibido no Museu de Arte Moderna de São Paulo, no Brasil. Ela documenta, ao longo de 13 anos, momentos do ciclo de vida de sua família – como o casamento de seu irmão, o falecimento de seu avô e o nascimento de seu sobrinho. Rinko registra ainda os três primeiros anos de vida de sua filha e complementa as imagens com uma projeção em vídeo.
Já Tokuko Ushioda, que foi escolhida por Rinko Kawauchi para participar do festival, conquistou diversos prêmios e expõe na América Latina pela primeira vez aos 84 anos de idade, como parceira desta interlocução: “Eu respeito o fato de que ela tem atuado como fotógrafa desde uma época em que a participação das mulheres na sociedade era difícil, além do fato de que ela encara a vida com sinceridade”, diz Rinko Kawauchi.
Ushioda documenta, ao longo de 22 anos, a intimidade de famílias de parentes e amigos utilizando geladeiras como um ponto fixo de referência, oferecendo uma perspectiva única sobre a vida doméstica e a conexão familiar da época. Ela compartilha ainda cenas do cotidiano com seu marido e filha, registradas em um pequeno apartamento de estilo ocidental durante a década de 1970.
“São formas muito poéticas de mostrar esses cotidianos com um olhar bem cuidadoso e muito pessoal para os pequenos detalhes e momentos, alguns comuns, outros inusitados e até divertidos. O que a gente espera é que o público se aproxime desse dia a dia, que crie uma certa intimidade com a vida dessas duas mulheres, que nada mais é do que a vida de uma pessoa normal no Japão e que pode ter tanto em comum com as nossas vidas aqui, do outro lado do mundo”, comenta Natasha Barzaghi Geenen, Diretora Cultural da Japan House São Paulo.
KYOTOGRAPHIE é um Festival Internacional de Fotografia que acontece anualmente em Kyoto durante a primavera. Fundado por Lucille Reyboz e Yusuke Nakanishi em 2013, o evento ocupa diversos locais da cidade, desde construções históricas tradicionais, como templos, santuários, casas de chá, etc, até espaços com arquitetura contemporânea.
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